Plástico, alimentação e esfoliantes: qual a relação entre eles?

Plástico, alimentação e esfoliantes: qual a relação entre eles?

Uma notícia que me chamou atenção essa semana tratou de uma pesquisa científica que identificou plástico no sal de cozinha originário dos 6 continentes. Mesmo que a pesquisa tenha concentrado a maior parte de suas amostras no continente asiático, é indiscutível que a abrangência e o resultado dessa pesquisa choca e faz acender um grande sinal de alerta. Afinal, são nossos hábitos que estão nos intoxicando.

A pesquisa publicada esse mês na Environmental Science & Technology também faz referência a um dado de 2010 que estimou que uma média de 8 milhões de toneladas de plástico foram lançados nos oceanos apenas naquele ano. É muita coisa! Existem erros e negligências em toda a cadeia, dos fabricantes da matéria-prima até a sociedade civil, passando pela gestão pública. Lidar com o plástico e todo o resíduo que geramos é um dos grandes desafios da nossa era. Não poderia ser diferente, visto que todos nós pertencemos a uma única macroesfera, o planeta Terra, onde o conceito de “jogar fora” não existe. As consequências dos nossos atos acabam nos atingindo, tornando-nos vítimas da nossa própria negligência com o meio ambiente.

O plástico é produzido a partir do petróleo, utilizando a nafta que é um subproduto da linha de produção do diesel e da gasolina. É notável que com o aumento da nossa dependência com os combustíveis fósseis derivados do petróleo, a indústria petroquímica intensificou a produção de plásticos e seus derivados, fomentando os mais diversos usos para este material e em pouco tempo muitos objetos e utensílios que eram produzidos com outros materiais foram substituídos pelo plástico. Quem, como eu, nasceu nos anos 80, vai lembrar muito bem das garrafas retornáveis de vidro para refrigerante, água e cerveja, de comprar grãos e cereais nos mercados a granel em sacos de papel, das nossas mães terem usado fraldas de pano no lugar das descartáveis de plástico, das nossas roupas que eram em grande maioria de tecidos de fibras naturais e de que não tínhamos acesso a tanto utensílio descartável.

É importante entender que o aumento da demanda da produção de plástico cresceu através do poder da indústria de petróleo e que este material veio substituindo e barateando produtos que já existiam e eram feitos com materiais naturais como madeira, fibras, algodão, metal e celulose. Essa grande demanda da produção de plástico e seu baixo valor, afinal é um produto sustentado pela indústria do petróleo, estimulou a era do consumismo desenfreado. Os produtos são feitos para durar pouco e estimular uma nova compra, afinal precisam dar vazão à nafta das refinarias, e assim vivemos numa era de alto consumo e falta de consciência de nossos atos para o planeta e gerações futuras. E retornando ao conceito de que “jogar fora” não existe, hoje sabemos por meio de pesquisas científicas que estamos consumindo plástico através do sal marinho, da água, dos peixes e frutos do mar.

Muita gente ainda não entende que o plástico não desaparece no meio ambiente. Ele demora séculos para se degradar por completo, mas se degradar não significa desaparecer. Degradar significa que o plástico foi se quebrando em partículas cada vez menores invisíveis a olho nu, porém permanecem presentes no meio ambiente.

Boas trocas e atitudes para evitar o plástico no dia a dia

A boa notícia em meio a esse diagnóstico desanimador é que muita gente já está consciente e existe uma linda onda de estilo de vida sem lixo (#zerowaste), que consiste em diminuir sensivelmente o descarte de lixo nos aterros sanitários, lixões e rios. A nossa principal batalha é evitar o plástico, esse vilão que agora você já está ciente que existe. Caso você venha utilizar algo feito deste material, garanta que o resíduo seja encaminhado para a coleta seletiva ou organização de catadores.

Atitudes para a mudança!

  • Carregar sempre uma garrafa para água, evitando a compra de garrafas plásticas de água mineral e o uso de copos descartáveis;
  • Ter um copo próprio para dispensar copos de plástico ao comprar um suco, água de coco, café e etc.;
  • Portar utensílios como garfo, faca, colher e canudo, tudo para recursar os similares descartáveis;
  • Usar bolsas retornáveis nas suas compras (isto não se resume ao mercado, pode ser aplicado também naquela loja de departamento, vestuário etc.).;
  • Fazer mais compras a granel e usar saquinhos de pano para pesar a mercadoria;
  • Evitar roupas com fibra sintética (ex.: poliéster) pois micropartículas de plástico se soltam a cada lavagem;
  • Substituir a esponja da cozinha, aquela de 2 cores para lavar louça, por uma esponja de fibra natural como a bucha vegetal;
  • O item anterior vale também para a esponja de banho. A bucha vegetal é excelente e no descarte pode (e deve) retornar ao solo como matéria orgânica;
  • Substituir itens de higiene na versão líquida pela sua versão sólida, como sabonete, xampu e condicionador;
  • Substituir a escova de dente de plástico pela de bambu, pois esta também retorna à terra como matéria orgânica;
  • Comer mais comida de verdade. Mais saúde e menos embalagens, afinal a melhor embalagem, a mais perfeita, é a casca das frutas e dos vegetais;
  • Substituir os produtos esfoliantes tradicionais por receitas caseiras em que utilizamos elementos naturais e biodegradáveis como agentes esfoliantes (dicas a seguir).

Esfoliantes naturais

Podemos dizer que todos os produtos esfoliantes que são encontrados nas farmácias e mercados são feitos com microesferas de plástico, e estas, devido ao seu tamanho, não são retidas nos sistemas de tratamento de esgoto (quando estes existem). Sendo assim, é certo que as microesferas esfoliantes de plástico serão depositadas em nossos rios e oceanos.

Por outro lado, sabemos que esfoliar a pele é um ato de higiene e não podemos simplesmente banir esse ritual que visa à retirada da camada de células mortas da pele. Por isso, apresento aqui algumas alternativas naturais, caseiras e biodegradáveis para você ficar com a pele lisinha e macia sem agredir a natureza.

Com borra de café:

Acredito ser a melhor opção, a mais sustentável, afinal você reusa um produto que já seria um resíduo.

Por conta da cafeína, a borra de café estimula a microcirculação superficial, melhorando assim o aspecto de inflamações como celulite. Ela também é uma boa aliada no tratamento de manchas da pele.

Você pode utilizá-la pura ou misturar com algum óleo vegetal para facilitar a manipulação.

Com aveia:

A esfoliação com aveia é mais suave, indicada para peles sensíveis. Ela é remineralizante, nutritiva e hidratante.

Com açúcar mascavo:

O açúcar mascavo proporciona uma esfoliação menos agressiva que o açúcar branco, além disso, ele possui minerais que proporcionarão mais hidratação à sua pele.

Sabia que o açúcar é uma fonte natural de ácido glicólico, que é um composto químico natural responsável por manter sua pele com viço e jovem?

Depois dessas dicas, esfoliante com plástico nunca mais! Correto?

Lembre-se também que a esfoliação deve ser feita no máximo uma vez na semana e que é sempre bom consultar um dermatologista para averiguar a melhor frequência para o seu tipo de pele.

Fontes de pesquisa:

Global Pattern of Microplastics (MPs) in Commercial Food-Grade Salts: Sea Salt as an Indicator of Seawater MP Pollution;

Ji-Su Kim, Hee-Jee Lee, Seung-Kyu Kim, and Hyun-Jung Kim. Environmental Science & Technology Article ASAP;

Revista Galileu.

Charlene Andrade

Como uma autêntica geminiana, a curiosidade é o que me move. Engenheira mecânica de formação, venho atravessando um processo de transição e renascimento, a partir do qual floresceram a vegetariana, a permacultora, a pesquisadora em agricultura sustentável e ambiental e a produtora de cosméticos naturais. Sentindo que era necessário partilhar esse belo caminho, recentemente dei vida, literalmente, a uma das minhas paixões e criei a Vida Biocosméticos, espaço dedicado ao mundo da cosmética artesanal em respeito ao meio ambiente, aos animais, ao comércio justo, à saúde do nosso corpo e de Gaia – Mãe Terra.


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