O milagroso gongo balinês e o mindfulness

Desde o final de agosto, estou em uma das escolas pioneiras em Educação para Sustentabilidade: a Green School em Bali – Indonésia. Inicialmente como educadora participante de dois treinamentos e agora como pesquisadora colaboradora, onde tenho mais tempo e oportunidade de vivenciar a rotina da escola, onde se pratica o mindfulness.

As experiências têm sido numerosas, mas neste texto compartilho uma especial que me chamou atenção desde o primeiro dia: o milagroso gongo balinês que tem o poder de parar e silenciar quase 500 alunos de diferentes idades, educadores, colaboradores, pais e visitantes todos os dias às 14 horas. É mágico!

Quando ouvi a primeira vez, não entendi bem o que estava acontecendo. A minha reação foi parar e observar. E foi exatamente o que aconteceu quando a educadora de Yoga, idealizadora da prática, soou o gongo pela primeira vez: toda a escola parou inconscientemente para se conectar com o momento presente. O sucesso foi tão grande que a prática se mantém até hoje.

Quem convive com crianças e adolescentes sabe o quanto é difícil pará-los quando estão fazendo o que gostam. Especialmente quando estão brincando enquanto aprendem, uma de suas atividades favoritas.

O gongo entra em ação 30 minutos após o término do almoço, em que todas as áreas pedagógicas, administrativas e de apoio estão novamente funcionando a todo vapor.

Ele é soado três vezes:

a primeira para concentração;

a segunda para observação da respiração; e

a terceira para gratidão.

O principal objetivo desta prática é atingir o estado de atenção ou consciência plena, no inglês mindfulness.

Segundo Jon Kabat-Zinn, médico fundador do MBSR (mindfulness-based stress reduction ou redução do estresse baseado na atenção plena), mindfulness é a consciência que surge ao prestar atenção, de propósito, no momento presente, sem julgamento. É também sobre saber o que está em sua mente.

Aqui na Green School, nós praticamos a concentração em conjunto todos os dias às 14 horas para manter nossas mentes quietas, para que possamos nos concentrar profundamente e aprender. Praticamos nossa respiração para conhecer mais profundamente nosso corpo e permitir que emoções mais elevadas como empatia, compaixão, consideração e conexão se desenvolvam. Praticamos a gratidão para que possamos nos tornar mais conscientes de como estamos interconectados e agradecer pelas coisas que nos são oferecidas. Não há punições por não cumprir, a prática é uma ferramenta para a vida. Ninguém tem a obrigação de fazer, mas é preciso permanecer em silêncio por alguns minutos para não atrapalhar a experiência de quem estiver praticando. Respeito. Para as pessoas que estão distraídas ou mais distantes do gongo, comunicações não-verbais são utilizadas como contato visual ou gestos para sinalizar que é momento de parar.

Em uma escola sem paredes onde muitas atividades acontecem simultaneamente nas áreas externas, e algumas com música, é possível imaginar todo o agito diário, né?

Para mim, é um momento especial para ouvir a natureza que nos cerca e me conectar com o todo. É normalmente quando me conscientizo que estou em Bali, em uma das escolas referência para o mundo e percebo que tenho motivos de sobra para agradecer!

Achou a ideia interessante? Que tal praticar diariamente por apenas três minutos? Coloque o seu celular para despertar todos os dias (preferencialmente com o som de um gongo) e faça um teste:

1) No primeiro minuto, pare o que estiver fazendo, feche os olhos ou olhe para baixo no seu colo onde estiver e faça uma varredura do seu corpo dos pés à cabeça.

2) No segundo minuto, observe sua respiração. É profunda ou superficial? Rápida ou devagar? Onde você percebe sua respiração? Na barriga? No peito? Nas narinas?

3) No terceiro e último minuto, visualize algo pelo qual você sente gratidão em sua vida. Pode ser uma pessoa, um lugar ou uma situação. Observe o motivo pelo qual você se sente grata ou grato. Para finalizar, respire fundo e, enquanto expira, abaixe o queixo para o peito e abra os olhos devagar.

Depois volte aqui e me conte como foi! 😊

Vanessa Tenório

Carioca, viajante, amante da natureza e das crianças, educadora designer de sustentabilidade e autora do blog Voe Nessa, encerrei um ciclo de 22 anos de carreira no sistema corporativo para dar volta ao mundo sozinha, pesquisando e desenhando uma Nova Educação para a Sustentabilidade. Meu planejamento é explorar os cincos continentes através da imersão em escolas inovadoras e comunidades sustentáveis e co-criar uma escola gratuita quando voltar ao Brasil.

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