O Comércio Justo começa com você!

Quem já acompanha o trabalho da Broto Design sabe que um dos principais objetivos de seus fundadores é desenvolver e divulgar ideias que nos estimulem a assumir o nosso papel de criação e transformação para que, com respeito à Natureza e a cada ser vivo, experimentemos a nossa existência de uma maneira mais saudável, consciente e feliz.

Mais saudável

O tema alimentação tem recebido destaque, especialmente após a recente crise que vivemos. Entre os principais, destaco os posts abaixo:

A greve dos caminhoneiros e a Segurança Alimentar

Partiu feira!

Barra de cereais caseira

Como correspondente pelo mundo, eu também tenho compartilhado as minhas principais experiências aqui e no meu blog pessoal:

Dá pra ajudar a salvar o mundo sem nem sair do sofá

Partilha de alimentos na Alemanha

Mais consciente

No primeiro domingo de junho, participei de um evento sustentável na Alemanha, em celebração aos 40 anos do Jardim Ecológico e Botânico da Universidade de Bayreuth. Um dos assuntos abordados foi o Fair Trade (Comércio Justo), onde uma peruana que reside na região da Francônia há mais de 20 anos liderou a apresentação.

De forma simples e prática, ela apresentou várias estatísticas aos visitantes que passavam pelo pavilhão trazendo profundas reflexões e questionamentos. E foi através dela que eu conheci o projeto Go Bananas, uma parceria da ONG Oxfam e Fairtrade Foundation no Reino Unido.

É fácil esquecer que a comida que comemos muitas vezes percorre enormes distâncias para chegar aos nossos pratos. E isso é cultivado, embalado e transportado por pessoas que precisam ganhar o suficiente para sustentar suas famílias.

O Comércio Justo existe para que os agricultores e trabalhadores na base das cadeias de fornecimento possam obter um salário mais justo e negociar com grandes empresas.

O Go Bananas usa fatos, fotografias e estudos de caso para ajudar os estudantes (e também a comunidade local) a descobrirem onde as bananas são cultivadas, explorarem a vida dos produtores e pensarem criticamente sobre o impacto que o Comércio Justo pode ter.

Os educadores, por exemplo, podem explorar o tema de forma transdisciplinar apenas usando o exemplo das bananas. O material disponível no site da Oxfam propõe diferentes atividades para atender as disciplinas: Matemática, Linguística e Literatura, Ciências, Geografia e Estudos Sociais, História, Educação Física, Arte e Design, Música, Tecnologia, Computação e Línguas Estrangeiras. Eu, que sou apaixonada pela Educação e por bananas, adorei a iniciativa!

Visão Global

Em setembro de 2017, a FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – publicou um relatório mostrando que, pela primeira vez em mais de uma década, a fome mundial está em ascensão novamente.

Segundo o relatório, existem 815 milhões de pessoas em todo o mundo que passam fome (11% da população global!). Cerca de 155 milhões de crianças com menos de cinco anos são raquíticas (muito baixas para a idade) e, enquanto 52 milhões sofrem com o peso muito baixo para sua altura, estima-se que 41 milhões de crianças estão acima do peso. Anemia entre mulheres e obesidade adulta também são motivos de preocupação. Essas tendências, ainda segundo o documento, são consequências não apenas do conflito e da mudança climática, mas também de mudanças radicais nos hábitos alimentares, bem como de desacelerações econômicas.

O relatório é a primeira avaliação global da ONU sobre segurança alimentar e nutrição a ser divulgada após a adoção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que visa acabar com a fome e todas as formas de desnutrição até 2030 como uma prioridade política internacional.

Número total de pessoas com fome no mundo: 815 milhões
– Na Ásia: 520 milhões
– Na África: 243 milhões
– Na América Latina e no Caribe: 42 milhões

Parte da população mundial que está com fome: 11%
– Parte da população da Ásia que está com fome: 11,7%
– Da África: 20% (na África oriental, 33,9%)
– Na América Latina e no Caribe: 6,6%

De acordo com a Oxfam – ONG pioneira na Europa a favor do Comércio Justo (saiba mais sobre a história aqui), a oferta global de alimentos mais do que dobrou nos últimos 40 anos, superando a taxa de crescimento populacional. No entanto, o mercado global chegou a uma situação em que alguns países exportam alimentos para o exterior, mas as pessoas dentro desses países não têm o suficiente para comer. É um fato surpreendente que muitos dos famintos do mundo sejam mulheres e homens que realmente produzem alimentos em pequenos lotes de terra. Essa desigualdade levanta muitas questões a serem consideradas: quem se beneficia com a venda de alimentos e qual o papel dos consumidores?

Com frequência, os alimentos percorrem longas distâncias do produtor até nossos pratos, e muitas vezes, passam por muitos intermediários, os quais tomam parte do lucro final. Isto significa que os agricultores e produtores no início da cadeia de fornecimento recebem uma pequena proporção do valor dos alimentos que produzem e muitas vezes não conseguem ter uma vida decente. E nós, como cidadãos globais, podemos contribuir para a transformação deste cenário!

O Comércio Justo começa com você!

Com suas compras, você tem o poder de mostrar o que realmente importa: sabor, qualidade e, é claro, as condições ambientais e de trabalho sob as quais nossos bens de consumo foram fabricados. Qualquer pessoa que use produtos com o selo Fairtrade estabelece um sinal em suas vidas diárias para um comércio mais justo.

Os principais produtos que fazem parte da Certificação Fairtrade (que funciona como uma cadeia onde não apenas o produtor, na forma de cooperativa ou associação, é certificado, mas as indústrias também, garantindo que toda a cadeia produtiva sigam as regras do comércio justo) são: banana, cacau, café, algodão, flores, açúcar, chá, frutas frescas, mel, sucos, arroz, nozes e oleaginosas, ervas aromáticas e especiais, vinhos, entre outros.

A marca Fairtrade nos seus produtos favoritos significa que eles se enquadram nos rigorosos critérios internacionalmente acordados.

O Brasil é membro da WFTO-LA – World Fair Trade América Latina que tem como um dos objetivos estratégicos “promover o desenvolvimento de mercados de comércio justo por meio de pesquisas, capacitação de produtores e organizações de marketing, promovendo novos mercados (Sul-Sul).”

A Organização Mundial do Comércio Justo (WFTO) define 10 princípios que devem ser cumpridos por organizações que trabalham a favor deste movimento:

Fonte: WFTO-LA

1. Oportunidades para produtores economicamente desfavorecidos

2. Transparência e responsabilidades (prestação de contas)

3. Práticas comerciais justas

4. Pagamento de um preço justo

5. Sem trabalho infantil e trabalho forçado

6. Compromisso com a não-discriminação, igualdade de gênero e empoderamento econômico das mulheres, e liberdade de associação

7. Garantir boas condições de trabalho

8. Desenvolvimento de habilidades e capacidades

9. Promoção do comércio justo

10. Respeito ao meio ambiente

Saiba quais produtores brasileiros têm selo que atesta inexistência de trabalho escravo.

Mais feliz

“Se alguém me dissesse há 45 anos que eu teria sentado aqui hoje e realmente chegado ao fim da escravidão, eu não teria acreditado.”, disse Myrtle Witbooi – cidadã da África do Sul – do pódio do Palais des Nation em Genebra em 2011. Hoje, ela é a presidente da Federação Internacional de Trabalhadores Domésticos. #SheisWe #ElaéNós!

Fonte: Eudevdays

Conheça histórias inspiradoras como essa divulgadas no European Development Days.

Contribuir para a construção de um novo modelo de civilização e incorporar novos valores éticos, solidários e participativos é um dever de cada cidadão global.

“Nossas ações, por menores que pareçam, são capazes de mudar o mundo. A cada momento, fazemos escolhas sobre nossos modos de vida. Se nos conectarmos com o planeta e uns com os outros, seremos uma ponte para um futuro sustentável. Cada um de nós faz o seu Amanhã. E juntos fazemos os nossos – os Amanhãs que queremos.” (Museu do Amanhã, Rio de Janeiro/Brasil)

Vanessa Tenório

Carioca, viajante, amante da natureza e das crianças, educadora designer de sustentabilidade e autora do blog Voe Nessa, encerrei um ciclo de 22 anos de carreira no sistema corporativo para dar volta ao mundo sozinha, pesquisando e desenhando uma Nova Educação para a Sustentabilidade. Meu planejamento é explorar os cincos continentes através da imersão em escolas inovadoras e comunidades sustentáveis e co-criar uma escola gratuita quando voltar ao Brasil.

2 comentários em “O Comércio Justo começa com você!

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