Dá pra ajudar a salvar o mundo sem nem sair do sofá

No primeiro texto que escrevi para a coluna Pelo Mundo, compartilhei como tenho explorado diferentes lugares através das quatro dimensões da sustentabilidade.

Muitas pessoas ainda associam a sustentabilidade apenas com ecologia, considerando que separar o lixo, economizar água e energia são práticas suficientes para provocar a mudança que a nossa Mãe Terra espera de nós e garantir o futuro das próximas gerações.

A greve dos caminhoneiros que “parou” o Brasil nas duas últimas semanas de maio mostrou que o buraco é bem mais embaixo. Além do caos, a crise provocou grandes reflexões, provando como a grande massa é dependente de um sistema insustentável que incentiva o consumo e a competição, e trouxe, felizmente, uma dose de despertar e consciência.

Acordou muita gente! Pessoas que, por estarem imersas em suas rotinas desgastantes em busca do TER, nunca tinham se questionado, por exemplo, como os alimentos chegam às suas mesas.

Se você faz parte do grupo que ficou incomodado com este cenário e pretende começar a mudar alguns simples hábitos, eu te convido a conhecer diferentes projetos e iniciativas pelo mundo.

Para começar com uma visão macro, você sabia que, em setembro de 2015, líderes de 193 países concordaram, sob a coordenação da Organização das Nações Unidas (ONU), em implementar uma ousada agenda de desenvolvimento com o objetivo de garantir um planeta mais próspero, equitativo e saudável até 2030?

Foram definidos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que incluem 169 metas prevendo ações globais nas áreas de erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, redução das desigualdades, energia, água e saneamento, padrões sustentáveis de produção e de consumo, mudança do clima, cidades sustentáveis, crescimento econômico inclusivo, entre outros.

A alimentação e agricultura tem relação com a grande maioria dos ODS, que são eles:

Fonte: ONU

Segundo o Índice e Painéis de ODS – Relatório Global ¹, que classifica os países em termos de sua situação inicial com relação aos 17 ODS – considerando “inicial” os dados mais próximos de 2015 que estiverem disponíveis, três países escandinavos (Suécia, Dinamarca e Noruega) encabeçam a lista de melhor desempenho. A nota geral da Suécia de 84,5, por exemplo, indica que o país já percorreu, em média, 84,5% do caminho até o melhor resultado. O Brasil ocupou, na época, a posição 52 com 64,4%.

Estive na Escandinávia durante o verão europeu de 2017 e posso afirmar que eles estão muito à frente no quesito desenvolvimento sustentável.

Abaixo, compartilho alguns links sobre minhas principais experiências na região (recomendo a leitura de pelo menos um texto de cada país para ter uma ideia do que eles têm desenvolvido na prática):

SUÉCIA

Lições aprendidas na Suécia

Aprendi brincando

Economia colaborativa

Conferência de Ecovilas da Europa 2017

DINAMARCA

Quem mandou não estudar?!

Escolas inovadoras

Construção natural

Inspirando novos programas de voluntários

Atualmente, estou pela segunda vez na Alemanha (país que ocupa a sexta posição no ranking) e que abriga a cidade sustentável de Freiburg, onde “morei” duas semanas em novembro/2017 e me alimentei gratuitamente utilizando a plataforma Food Sharing (detalhes desta experiência sustentável e divertida podem ser lidos neste post, na minha página pessoal do Facebook).

Se você ficou com preguiça de ler o post completo (Affe! Quem quer mudar não deveria ter preguiça!), copiei e colei aqui embaixo o parágrafo onde explico brevemente como o sistema funciona: Os estabelecimentos (geralmente supermercados, padarias, organizadores de eventos gastronômicos, etc) fazem o cadastro na plataforma informando quantos quilos de alimentos são descartados por dia e disponibilizam para quem quiser pegar. Existe um sistema de agendamento para os interessados (também cadastrados previamente). Dependendo da quantidade de comida, o sistema permite o agendamento de várias pessoas no mesmo local e horário.

Para te inspirar mais um pouquinho, acabei de vir da Holanda (“morei” um mês lá!) e tive a feliz oportunidade de explorar a pé e de bicicleta (claro!) a Capital Verde da Europa: Nijmegen (confesso que só fiquei sabendo sobre este título quando cheguei lá… a sincronicidade sempre trabalha ao lado das pessoas que estão dispostas a mudar). Também recomendo a leitura do meu primeiro post sobre Nijmegen para entender quais critérios a Comissão Europeia utiliza para eleger anualmente a cidade mais sustentável da Europa. Vale ressaltar que a Holanda ocupa a oitava posição no Índice de ODS.

Com alguns exemplos de quatro países que lideram a lista dos mais desenvolvidos em termos de sustentabilidade, é possível constatar que há muitos projetos em execução (no Brasil inclusive!) que contribuem para a mudança deste cenário catastrófico que a mídia insiste em reforçar, sem mostrar alternativas que possam reverter este quadro. Mas se você realmente se intitula um preguiçoso, seus problemas acabaram! A ONU criou o Guia da pessoa preguiçosa para salvar o mundo e deixou tudo mais fácil reunindo algumas das muitas coisas que você pode realizar na sua rotina para fazer a diferença.

Fonte: ONU

O Guia do Preguiçoso traz 42 dicas divididas em três categorias: Sofá Superstar, Heroína ou Herói da Família e Pessoa Legal do Bairro, de acordo com o grau de envolvimento e dificuldade da mudança de comportamento.

Ou seja, você não precisa colocar uma mochila de 15kg nas costas como eu para começar a mudar o mundo. É possível começar agora, do seu sofá, ao terminar de ler este texto! Só não esqueça de voltar aqui e compartilhar os resultados!

1. Fonte: Sachs, J., Schmidt-Traub, G., Kroll, C., Durand-Delacre, D. e Teksoz, K. (2016): SDG Index and Dashboards – Global Report. New York: Bertelsmann Stiftung and Sustainable Development Solutions Network (SDSN).

Vanessa Tenório

Carioca, viajante, amante da natureza e das crianças, educadora designer de sustentabilidade e autora do blog Voe Nessa, encerrei um ciclo de 22 anos de carreira no sistema corporativo para dar volta ao mundo sozinha, pesquisando e desenhando uma Nova Educação para a Sustentabilidade. Meu planejamento é explorar os cincos continentes através da imersão em escolas inovadoras e comunidades sustentáveis e co-criar uma escola gratuita quando voltar ao Brasil.

2 comentários em “Dá pra ajudar a salvar o mundo sem nem sair do sofá

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