Caminhada histórica na Tasmânia

Caminhada histórica na Tasmânia

Representação do presente. Fonte: Windgrove

Durante o turbulento mês de outubro, quando grande parte da minha energia estava concentrada no Brasil, tive o privilégio de estar num dos lugares mais lindos do mundo: a ilha da Tasmânia, na Austrália.

Digo privilégio porque a exuberante Natureza ao redor contribuiu muito para o meu fortalecimento e equilíbrio diante de um cenário tão adverso na nossa pátria amada.

Em celebração aos cinco anos da ecovila em que atuei como voluntária, fizemos uma caminhada em uma propriedade privada situada na costa sudeste da Tasmânia, que faz fronteira com a Praia Roaring e tem vista para a Baía de Storm, a 3 mil km da Antártica.

Depois de comprar o Windgrove em 1991, o americano escultor e escritor ambiental Peter Adams passou os anos seguintes transformando a paisagem através do plantio de 8 mil árvores e da criação de várias obras da Arte da Terra. Nesse processo, ele próprio foi transformado e criou um magnífico refúgio para sanidade e paz: um convite para perfeita harmonia entre a Natureza e a Arte.

O Windgrove era uma terra de pastagem completamente nua. A cada ano, Peter planta 400 árvores em sua propriedade, o que ele chama de “dízimo da Terra”.

Peter tem uma paixão por esculpir madeira e combiná-las com pedras. Segundo ele, é o equilíbrio entre elementos mortos (madeiras) e vivos (pedras). A cada explicação, seus olhos revelam o entusiasmo por sua arte natural.

Peter Adams usufruindo da sua arte. Fonte: Windgrove
Fonte: Windgrove
Fonte: Windgrove

“Minha primeira graduação foi em História, em Harvard. Já a segunda foi um aprendizado em carpintaria. Ambas foram necessárias. Uma me ensinou a trabalhar com a minha mente e a outra com as minhas mãos. Meu trabalho é sobre o nascimento. Somos como uma trilogia.”, diz Peter Adams ao apresentar-nos uma de suas criações: o Peace Garden, um pequeno jardim de esculturas que é dedicado às três formas interdependentes de paz: a paz dentro do indivíduo, a paz entre os humanos e a paz entre a humanidade e o meio ambiente.

As três esculturas desse jardim também simbolizam o passado, o presente e o futuro.

Os visitantes são convidados a trazerem “uma pedra pela paz” para colocar na área do jardim que representa o passado. Essas pedras são depositadas em homenagem aos seus antepassados ​​e à sua história ancestral. A pilha crescente simboliza como as diversas histórias e verdades ancestrais compreendem a história universal.

O ato de colocar a pedra de uma pessoa ao lado da pedra de outra pessoa (ou seja, de colocar a verdade de um indivíduo ao lado da verdade alheia) é que implica uma coexistência pacífica. O oposto disso é o lançamento de pedras no próximo.

Representação do passado. Fonte: Windgrove

Os outros componentes do Jardim da Paz são: uma pedra de seis toneladas partida ao meio simbolizando a compaixão (presente) e uma espiral de seis metros esculpida pelo próprio Peter Adams, representando a esperança (futuro) através da vida eterna e do fogo da paz. A espiral para ele representa uma planta saindo do solo após o período de gestação e ascensão.

Representação do presente. Fonte: Windgrove
Representação do futuro. Fonte: Windgrove

No Windgrove, também encontramos um espaço sagrado chamado Fogo da Paz, uma chama eterna dedicada a honrar o caminho da paz. Criado em abril de 2002 através da inspiração de uma mulher aborígine e seu povo, a intenção é manter o fogo vivo por 600 anos. Este fogo age como um catalisador para a reconciliação entre negros e brancos, mulheres e homens, todas as religiões, humanidade e demais seres vivos. É um fogo purificador, sagrado, cuja natureza é transformar a negatividade pessoal e global em algo positivo. Ele serve como um farol de esperança para aqueles que procuram um mundo infundido com espírito, onde a própria terra é vista como sagrada.

Para mim, foi um lugar muito especial para recarregar as energias, elevar a vibração e renovar as esperanças diante de um momento tão crítico para toda a população brasileira.

Caminhada da Evolução de Gaia

The Gaia Evolution Walk é uma caminhada participativa pela costa que traça a história do tempo onde um metro equivale a 500.000 anos. Para mostrar como a flora e a fauna da Terra evoluíram nos últimos 600 milhões de anos, Peter Adams e Aviva Reed combinaram seus talentos artísticos para criar a Caminhada de Evolução de Gaia, que tem 1,2 km.

Com o cenário dinâmico e bancos para descansar ou meditar, o caminhante encontra poesia, informação científica e 13 painéis que descrevem o processo evolutivo. Tudo isso enquanto aprecia uma paisagem costeira diversificada, conversa com alguém, sente a Natureza ou apenas reflete sobre o caminho percorrido nesta vida.

Fonte: Windgrove
Fonte: Windgrove

Como visitar?

O espaço é aberto para visitas em grupo ou individuais.

Tours

Passeios de um dia estão disponíveis com agendamento prévio. Grupos escolares ou universitários são sempre gratuitos. Para outros grupos ou indivíduos, basta entrar em contato com Peter Adams via e-mail para se informar sobre os custos. O nosso tour foi gratuito, com direito a um chá especial, no final da caminhada, em sua energizante e artística casa.

Contatos:

Peter Adams – Roaring Beach – Nubeena, Tasmania 7184
email: peter@windgrove.com

Em breve também será possível viver uma experiência de fim de semana (duas noites/três dias) no Windgrove com disponibilidade apenas para dois casais, incluindo acomodação às sextas e sábados, todas as refeições e visitas guiadas à casa e estúdio de Peter Adams, passeios interpretativos e acesso privado à praia de Roaring Beach.

Workshops

De acordo com o lema “Windgrove: um refúgio para aprendizado”, o espaço é aberto para workshops com grupos de dez a vinte participantes.

Muitas oficinas já foram realizadas cujos temas centrais foram: meditação budista, ecologia profunda, treinamento de liderança ecofeminista, design na natureza, dança, retiros femininos, reuniões anuais de empresas e funcionários.

Residência voluntária

Nos últimos 15 anos, cerca de três pessoas por ano conseguiram passar uma temporada especial como residentes do Windgrove. Artistas, escritores, músicos, ativistas sociais ou ambientais tiveram uma oportunidade única de pesquisa reflexiva num período de uma semana a dois meses.

Em troca de duas horas de trabalho diário na horta ou em outro lugar de sua escolha e no preparo das refeições compartilhadas, o voluntário residente recebe acomodação e alimentação sem a obrigação de “produzir” qualquer coisa no final de sua estada, apenas sair inspirado.

Eu passei algumas horas no local e saí completamente renovada!

Vanessa Tenório

Carioca, viajante, amante da natureza e das crianças, educadora designer de sustentabilidade e autora do blog Voe Nessa, encerrei um ciclo de 22 anos de carreira no sistema corporativo para dar volta ao mundo sozinha, pesquisando e desenhando uma Nova Educação para a Sustentabilidade. Meu planejamento é explorar os cincos continentes através da imersão em escolas inovadoras e comunidades sustentáveis e co-criar uma escola gratuita quando voltar ao Brasil.


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