Aromaterapia na saúde pública

Em Março deste ano o Ministério da Saúde anunciou a inclusão de 10 Práticas Integrativas Complementares no SUS (Sistema Único de Saúde) e uma destas é a Aromaterapia. Segundo a ABRAROMA (Associação Brasileira de Aromaterapia e Aromatologia), Aromaterapia é uma prática terapêutica que se utiliza das propriedades específicas dos óleos essenciais 100% puros, de origem botânica conhecida e com sua composição química completa como a natureza produziu. Ou seja, como eu gosto de definir, é o uso do poder vital de uma planta aromática e sua abundância terapêutica.

Mas como obter tal benefício? Como isso funciona? Ainda segundo a ABRAROMA, os óleos essenciais são utilizados para prevenção e tratamento de todos os desequilíbrios energéticos que possam afetar o corpo físico, emocional e vibracional, visando resgatar o bem estar geral do Ser humano e do meio em que vive. Para o Ministério da Saúde, a Aromaterapia e as demais Práticas Integrativas Complementares irão atuar no campo de prevenção e promoção à saúde, mudando o paradigma de uma saúde pública baseada no tratamento de doenças já estabelecidas.

Sem entrar no mérito da eficiência e abrangência do SUS em nosso país, não podemos negar que trata-se de um grande marco de aceitação e ratificação das terapias holísticas, muitas vezes tachadas como supersticiosas e desprovidas de qualquer embasamento científico. Convém esclarecer que esta não é a realidade. Ao pesquisar sobre “essencial oils” no portal da PubMed (1) achei quase 18 mil publicações científicas a respeito de óleos essenciais.

A meu ver, estamos vivendo um momento de resgate às crenças e conceitos ancestrais. Mesmo que a Aromaterapia como hoje é conhecida e aplicada tenha surgido apenas nos anos 20 do século passado, o uso de plantas aromáticas, ou seja, da medicina da floresta, existe desde os primórdios da evolução humana. Nossos antepassados usufruíam de diversos benefícios ao fazerem uso destas plantas em banhos, infusões ou maceradas em óleos vegetais. Hoje, com nossa tecnologia permitindo a extração de óleos essenciais  com alto grau de pureza, podemos ter acesso a estes mesmos benefícios de forma ainda mais poderosa.

A riqueza da natureza armazenada em pequenos – e preciosos – frascos

Vamos compreender melhor o que são os óleos essenciais e como eles agem em nosso corpo.

Óleo essencial, de acordo com a ISO 9235:2013 (2), é um produto obtido por hidrodestilação , destilação a vapor, processamento mecânico de cascas de cítricos ou destilação a seco de materiais naturais. Do ponto de vista botânico, óleos essenciais são essências perfumadas produzidas nas células secretórias das plantas aromáticas a partir dos nutrientes obtidos do solo e da água e através da fotossíntese. Essas células podem se encontrar em diferentes partes de uma planta (folhas, flores, frutos, cascas, caules ou raízes), dependendo das características próprias da espécie vegetal. A composição dos óleos sofre influência das adversidades ambientais, tais como disponibilidade de água, temperatura e composição do solo / nutrientes. Além disso, fatores como período da colheita, idade da planta e época da floração também podem afetar a qualidade do óleo.

Os óleos atuam em nosso corpo de maneira integral – holística – por meio do “sistema” denominado psico-neuro-endocrino-imuno, que é uma conjunção entre as áreas da psicologia, psiquiatria, endocrinologia, neurologia, neuroendocrinologia e neurofisiologia. Devido à sua complexa abrangência, o uso dos óleos essenciais deve ser feito de maneira consciente e cuidadosa, de preferência por meio de orientação especializada, pois se faz necessária uma avaliação integral da sua atuação, benefícios ou mesmo contraindicações.

Em média são necessários 3 kg de planta aromática para a extração de 10 mL de seu óleo essencial, assim, seu uso na maioria das vezes é feito através de alguma diluição. Para aplicação tópica, é utilizado em conjunto com algum óleo vegetal carreador, por meio de compressas ou banhos. O uso via inalação é feito com a ajuda de um difusor de aromas, uma bacia com água quente, em perfumes ou simplesmente por meio de um algodão ou tecido. Seu uso interno pode ser via sublingual, diluído em bebidas ou na culinária, mas vale ressaltar que, principalmente neste último caso, é imprescindível a consulta junto a um especialista. Por fim, mas não menos importante, o óleo também é usado como insumo na cosmética natural (para saber mais sobre este assunto clica neste post), que utiliza das propriedades dos óleos essenciais para formulação de produtos inteligentes que atuarão, não apenas topicamente, mas também tratando sintomas de desordem emocional.

Vale ressaltar que, mesmo se tratando de um produto natural, os óleos essenciais podem causar alergias e possuem suas restrições de uso a depender de idade, gravidez, doenças crônicas como hipertensão e outros. Por isso, deve ser motivo de comemoração podermos ter acesso a profissionais especializados nesta área de maneira gratuita através do nosso Sistema Único de Saúde.

1. Fonte: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=essential+oils

2. Fonte: Aromatic natural raw materials – Vocabulary (https://www.iso.org/standard/51017.html)

Charlene Andrade

Como uma autêntica geminiana, a curiosidade é o que me move. Engenheira mecânica de formação, venho atravessando um processo de transição e renascimento, a partir do qual floresceram a vegetariana, a permacultora, a pesquisadora em agricultura sustentável e ambiental e a produtora de cosméticos naturais. Sentindo que era necessário partilhar esse belo caminho, recentemente dei vida, literalmente, a uma das minhas paixões e criei a Vida Biocosméticos, espaço dedicado ao mundo da cosmética artesanal em respeito ao meio ambiente, aos animais, ao comércio justo, à saúde do nosso corpo e de Gaia – Mãe Terra.

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