Antitranspirante – O que ele tem de perigoso?

Vamos falar sobre suor e antitranspirante?

Se tem algo democrático nessa vida é o suor, já que TODXS, exatamente, todxs nós humaninhxs suamos. Tudo bem que com intensidade e características odoríferas peculiares de cada pessoa, afinal somos seres plurais e muita coisa interfere no nosso suor, desde nossa alimentação, nível de stress e até o tipo de tecido das roupas que usamos.

Portanto, se é fato que todxs nós transpiramos, podemos afirmar que, se existe um item essencial que todos os homens, mulheres, crianças e idosos, independentemente da classe social usam, é o antitranspirante/desodorante. E exatamente por ser um item praticamente indispensável para todxs nós e de uso diário, sempre afirmo que o desodorante/antitranspirante deve ser o item escolhido para iniciar a mudança para a cosmética natural.

Se você está tentando descobrir o que há de tão errado e perigoso com o seu desodorante diário, continue aqui comigo, pois é sobre isso que vamos falar. Bora lá!

Aerossol:

De início, vamos definir uma coisa: antitranspirantes em aerossol já deveriam ter sido banidos do mercado. O aerossol é comprovadamente um Gás de Efeito Estufa (GEE), ou seja, é um gás que contribui negativamente com o efeito estufa da atmosfera terrestre, porque tem alta capacidade de absorver e espalhar a radiação solar, o que contribui com o aumento da temperatura do planeta.

O uso de produtos em aerossol é associado a problemas alérgicos, principalmente respiratórios. Quem nunca aspirou o desodorante em aerossol quando estava passando e quase morreu intoxicadx?

Desodorante x Antitranspirante:

Você sabe a diferença entre eles?

Basicamente, o desodorante é um produto com função de inibir o odor causado pelas bactérias que entram em contato com o suor, pois o suor em si, de uma pessoa saudável, não tem mau cheiro.

O antitranspirante é um produto que age para inibir a produção do suor, bloqueando o trabalho das glândulas sudoríparas das axilas. A transpiração é um processo fisiológico do nosso organismo, através do qual nosso corpo elimina toxinas e controla sua temperatura. Não me parece saudável impedir esse processo natural do corpo, não é mesmo?

O tabu do suor:

Já vimos que o suor é resultado de um fenômeno fisiológico, um processo totalmente natural do nosso organismo. Então por que ainda temos tanta vergonha dele? Por que nos incomoda tanto? Esse é mais um padrão imposto pela sociedade que se repete por gerações sem que ninguém contestasse. Até agora!

É importante deixar claro que ao usar um desodorante natural, seja ele industrializado ou caseiro (teremos receitinha no final), você iniciará um relacionamento amigável com seu suor. Mas suar não significa cheirar mal! Ponto importantíssimo! O desodorante natural permitirá que seu corpo produza suor normalmente, cumprindo a sua função. Mas fique tranquilx que, usando de maneira correta, você não terá o temido cecê.

O que há de tão prejudicial à saúde no desodorante/antitranspirante não-natural?

Chegou a hora de saber quais são as substâncias encontradas em qualquer antitranspirante de mercado ou farmácia que são tóxicas e nocivas à saúde.

Fique longe dos produtos que contêm: alumínio, parabenos, triclosano, propileno glicol, fragrâncias, BHA e BHT.

– Alumínio: também pode aparecer com o nome de aluminium, cloridrato de alumínio, cloreto de alumínio, sulfato de alumínio ou hidróxido de alumínio.

Tem a função de inibir a transpiração e é um componente bioacumulativo, ou seja, depois de absorver os sais de alumínio, nosso corpo não consegue eliminá-los de maneira rápida e eficiente, resultando numa acumulação contínua dessa substância.

Há pesquisas científicas que relacionam o acúmulo de alumínio em nosso corpo a doenças como Alzheimer, Parkinson e câncer de mama. Inclusive, já detectaram alumínio em tecidos mamários infectados pelo tumor, mesmo assim o INCA e a ANVISA ainda não deram parecer conclusivo para tais incidências. O fato é que o alumínio possui características estrógenas, sendo capaz de interagir com nossos hormônios, e é sabido que o excesso de estrogênio está relacionado com o surgimento de células cancerígenas. Outro fato é que o alumínio é uma substância neurotóxica, que agride o sistema nervoso, aumentando o risco do surgimento de doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson.

– Parabenos: também podem aparecer com o nome de parabens, propilparabeno, isopropilparabeno, butilparabeno e isobutilparabeno.

Agem como conservantes em diversos produtos cosméticos, prolongando a validade e evitando a proliferação de bactérias e microorganismos.

A acumulação destas substâncias em nosso corpo está associada a distúrbios do sistema endócrino, causando problemas reprodutivos e transtornos de desenvolvimento nos fetos. Não parando por aí, ainda são relacionados a casos de câncer de mama, pois também possuem a capacidade de alterar o hormônio estrogênio.

– Triclosano: também pode aparecer com o nome de triclosan, triclocarban.

É um pesticida antimicrobiano. Acumulado em nosso organismo, o triclosan desregula o sistema endócrino, sendo capaz de interferir na função da glândula da tireóide e, mais uma vez, altera a produção dos hormônios reprodutivos.

No meio ambiente, ele age como poluente persistente, ou seja, tem comportamento acumulativo, sendo extremamente tóxico aos rios e mares. Desta forma, causa os mesmos problemas reprodutivos aos peixes e demais seres marinhos. Mas não foi opção do peixe passar tal substância em seu corpo. Pense nisso!

– Propileno glicol: também pode aparecer com o nome de polietilenoglicol (PEG).

É um antiaglomerante (inibe a formação de grumos), anticongelante, umectante e solvente. Componente largamente usado nos antitranspirantes em aerossol. Está relacionado com casos de lesão no fígado, rins e cérebro.

– Fragrâncias: também podem aparecer com o nome de parfum, fragrance, aroma.

Possui função de adicionar um “aroma agradável” e sintético ao cosmético. São consideradas disruptores hormonais e alérgenos da pior categoria. Além de também serem associadas ao aparecimento de células cancerígenas nos rins, pulmões e fígado.

– BHA e BHT: também podem aparecer com os nomes de butylated hydroxyanisole e butylated hydroxytoluene.

Também possuem função de conservante, geralmente usados em produtos que são livres de parabenos. Mas tal substituição não é tão eficaz para nossa saúde, afinal, também são bioacumulativos, causam distúrbios endócrinos e suspeita-se que também causem câncer.

Receitinhas – Faça Você Mesmx:

Depois de tanta informação preocupante, não poderíamos simplesmente encerrar esse tema sem mostrar alternativas saudáveis para vocês. Afinal, alternativas acessíveis, saudáveis e sustentáveis são a alma da Broto e da Cosmética Natural.

Antes de iniciar as receitinhas em si, é legal abordar o fato de que algumas pessoas não conseguem se adaptar aos desodorantes naturais facilmente, ficam descrentes com sua eficácia e logo retornam aos produtos tradicionais. Vejo isso como reflexo de um período imediatista em que nós vivemos, em que não temos paciência de esperar que nosso corpo se acostume com novos hábitos e jogamos toda a culpa numa possível ineficiência das receitas caseiras e produtos naturais.

Como vimos lá em cima, o uso prolongado dos produtos que contém alumínio causa o bloqueio dos poros e glândulas sudoríparas, então, ao iniciar a transição para o desodorante natural, você passará por um período de desintoxicação das axilas. Nesse período, poderá sentir um odor mais forte e isso é extremamente normal, não se decepcione. Para auxiliar nessa fase é indicado beber bastante água, fazer atividades físicas e limpar as axilas com a receitinha detox.

– Detox nas axilas:

  • 1 colher de sopa (cs) de argila verde;
  • vinagre de maçã ou suco de limão o quanto baste.

Misture a argila ao vinagre de maçã (ou suco de limão) numa quantidade suficiente para formar uma pastinha. Passe essa mistura nas axilas já lavadas com sabão. O ideal é fazer à noite após o banho. Aguarde de 5 a 10 minutos e retire com a ajuda de uma toalha limpa e água morna. Lave com sabão apenas no dia seguinte pela manhã.

Essa receita pode ser feita 1 vez na semana.

– Desodorante em creme:

  • 3 cs de araruta em pó ou amido de milho;
  • 1 cs de bicarbonato de sódio;
  • 2 cs de óleo de coco;
  • 5 gotas de óleo essencial de sua preferência*.

Misture bem a araruta (ou amido de milho) ao bicarbonato de sódio.

Caso o óleo de coco esteja sólido, é preferível que o derreta em banho maria, assim ficará mais fácil de homogeneizá-lo com a mistura da araruta e bicarbonato de sódio até formar uma pasta.

Por fim, aguarde esfriar um pouco para adicionar as gotas de óleo essencial, misture bem e envase num potinho.

Como o óleo de coco muda de consistência com a temperatura, é possível que no verão você precise usar uma maior quantidade de araruta para que seu desodorante não fique líquido.

Algumas pessoas são sensíveis ao bicarbonato de sódio, caso você seja uma delas, diminua a quantidade ou retire por completo este ingrediente da fórmula.

– Desodorante líquido:

  • 60 ml de leite de magnésia (sem sabor);
  • 12 gotas de óleo essencial de sua preferência*.

Despeje o leite de magnésia em um frasco roll-on reaproveitável ou em um frasco com válvula spray. Pingue o óleo essencial, misture e está pronto!

*Os óleos essenciais mais eficientes para desodorante são de Melaleuca (tea-tree), Lavanda, Cipreste e Capim-limão.

Como comentado lá no início, são diversos os fatores que interferem na produção do suor e do mau cheiro. Pode ser que você não acerte seu produto natural ideal na primeira tentativa. Nesse caso, faça o detox, reveja sua alimentação e não desista. Teste outras fórmulas ou procure desodorantes naturais à venda no mercado, mas sempre esteja atentx à listinha de produtos proibidos, beleza?

E, por último, mas não menos importante, o desodorante natural será seu mais novo amigo. Leve-o pra onde for, pois às vezes será necessário dar aquela reforçada no meio do dia.

Escolha sua receita favorita e mãos à obra! Depois volte aqui para contar como foi sua experiência e como está sendo a adaptação. Combinado?

Veja esses outros textos sobre cosmética natural:

Infusão, macerado, tintura: métodos para aproveitar todos os benefícios das plantas

Saboaria artesanal: a alquimia do sabão

Biocosméticos

Fontes de pesquisa:

Environmental Working Group: www.ewg.org

Global Healing Center: www.globalhealingcenter.com

Guia completo da Beleza feita em casa. Livro por Sunny Subramanian & Chrystle Fieldler A Naturalíssima: @anaturalissima / www.anaturalissima.com.br

INCA: www.inca.gov.br

Charlene Andrade

Como uma autêntica geminiana, a curiosidade é o que me move. Engenheira mecânica de formação, venho atravessando um processo de transição e renascimento, a partir do qual floresceram a vegetariana, a permacultora, a pesquisadora em agricultura sustentável e ambiental e a produtora de cosméticos naturais. Sentindo que era necessário partilhar esse belo caminho, recentemente dei vida, literalmente, a uma das minhas paixões e criei a Vida Biocosméticos, espaço dedicado ao mundo da cosmética artesanal em respeito ao meio ambiente, aos animais, ao comércio justo, à saúde do nosso corpo e de Gaia – Mãe Terra.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: