Acarajé dos deuses!

Há milhares de razões por trás da minha fissura por essa iguaria africana, começando pelo lugar onde nasci. Thiago, o louro paulista mais “baianidade nagô” que você respeita, também não fica a desejar no quesito obsessão por acarajé. Então, nada mais justo que homenagear e registrar nossa paixão alucinada por aqui.

Pra quem não sabe, os acarajés são bolinhos de feijão fradinho fritos no óleo de dendê. Para fazer a massa, é necessário deixar o feijão de molho por aproximadamente 12 horas e então processá-lo com cebola e sal. Convém depois misturar a massa à mão, com o auxílio de uma colher grande, para promover a entrada de ar e, assim, deixar os bolinhos bem fofinhos.

Os acompanhamentos típicos do acarajé são caruru, vatapá e salada de tomate. Vatapá é uma espécie de pirão preparado com amendoim, castanha de caju, gengibre, temperos, óleo de dendê, leite de coco e uma base de amido. Normalmente coloca-se camarão seco na mistura também, mas, obviamente, essa nossa versão vegana dispensou o ingrediente (não fez falta, vale registrar). O caruru leva a mesma base do vatapá mas tem quiabo no lugar da fonte de amido.

Seguindo a tradição da cozinha de raiz, preparamos nosso próprio leite de coco para fazer as receitas, ganhando em sabor e ao mesmo tempo bloqueando a entrada de processados na jogada.

Sem mais delongas, vamos ao passo a passo:

ACARAJÉ

Ingredientes:

500 g de feijão fradinho

1 cebola média

Sal a gosto

Como fazer:

  1. Deixe o feijão fradinho de molho na noite anterior e, no dia seguinte, escorra e lave os grãos em água corrente
  2. Triture o feijão escorrido com a cebola e o sal num liquidificador ou processador de alimentos até formar uma massa
  3. Transfira a massa para uma vasilha e mexa vigorosamente com um colher grande para facilitar a entrada de ar e deixar os bolinhos fofinhos
  4. Forme os bolinhos e frite em óleo de dendê bem quente, tendo o cuidado de não colocar muita massa para não esfriar o óleo e comprometer a maravilhosa crocância dos acarajés

MASSA DE CASTANHAS PARA CARURU E VATAPÁ

Ingredientes:

200 g de amendoim torrado sem a casca

150 g de castanhas de caju

100 g de farinha de rosca

Como fazer:

  1. Triture bem as castanhas, o amendoim e a farinha de rosca até formar uma farofa e reserve.

LEITE DE COCO TEMPERADO PARA CARURU E VATAPÁ

Ingredientes:

400 ml de leite de coco

2 tomates maduros

1 cebola

1 pimentão vermelho pequeno

1 maço de coentro

1 pedaço pequeno de gengibre

1 colher (chá) de páprica defumada

1 colher (chá) cominho

Sal a gosto

Como fazer:

  1. Bata todos os ingredientes num liquidificador e reserve

CARURU

Ingredientes:

500g de quiabo

Metade do leite de coco temperado

⅓ da massa de castanhas

Óleo de dendê a gosto

Como fazer:

  1. Corte os quiabos em pedaços pequenos
  2. Coloque os quiabos para cozinhar junto com o leite de coco temperado em fogo médio durante aproximadamente 20 min
  3. Adicione a massa de castanhas e misture bem para não grudar na panela
  4. Adicione o óleo de dendê aos poucos até chegar na coloração desejada (eu gosto do amarelo intenso)
  5. Desligue o fogo quando o quiabo estiver mol

VATAPÁ

Ingredientes:

500 g de inhame cozido e amassado

Metade do leite de coco temperado

⅔ da massa de castanhas

Óleo de dendê a gosto

Como fazer:

  1. Coloque todos os ingredientes, exceto o dendê, em uma panela e misture bem, com o fogo ainda desligado
  2. Ligue o fogo médio e continue mexendo vigorosamente
  3. Adicione o óleo de dendê aos poucos até chegar na coloração desejada (aqui eu também sou do time amarelo intenso)
  4. Desligue o fogo quando der pra ver o fundo da panela

Comemos o banquete reverenciando toda a ancestralidade africana com os beiços lambuzados de pimenta e dendê. Se fizerem em casa, por favor, nos chamem que a gente leva cerveja gelada! 🙂

Adonis Carvalho

Escrevo uns rabiscos desde que me lancei na aventura de procurar me entender neste mundo, prática que me fez sobreviver aos intervalos tediosos das aulas de Cálculo na Faculdade de Engenharia. Vi toda minha vida se transformar desde que decidi dar o primeiro tímido passo rumo a uma dieta alimentar saudável. Meu interesse pela culinária natural é uma reação aos sustos que tomava quando passei a ler com atenção os rótulos dos ultra processados multicoloridos dos supermercados. Acredito na força e na beleza da vida e amo profunda e verdadeiramente este planeta Terra.

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